Os termos “emagrecimento” e “perda de peso” parecem ter significados iguais mas, muitas vezes, se referem a processos muito distintos!
Será que é possível perder peso sem emagrecer? Saiba mais a seguir!
O peso corporal pode ser dividido em duas grandes partes, a massa magra e a massa gorda. A massa gorda é composta pelo tecido adiposo, representando toda a gordura do nosso corpo. A massa magra, por sua vez, representa os demais componentes, como músculos, órgãos, ossos e outros tecidos1.
Assim, a composição corporal considera a proporção do corpo entre essas duas partes. A avaliação dessa composição é de grande relevância para a acompanhamento de processos em que se busca mudança de peso, porque consegue interpretar o tipo de peso que foi ganho ou perdido e analisar o progresso a partir desses resultados1.
Na literatura científica, esses termos frequentemente não possuem diferenciação, sendo “perda de peso” utilizado para quando há uma perda geral do peso ou uma perda específica de gordura ou de outros componentes corporais, como músculos ou líquidos2. No entanto, na comunicação profissional, é muito comum que haja a diferenciação a seguir:
Perda de peso: redução do peso corporal total (o peso simples que aparece na balança), sem levar em consideração a composição corporal. A perda de peso pode acontecer devido à perda de massa muscular e líquidos, associada ou não à gordura, o que nem sempre ocorre em um contexto saudável;
Emagrecimento: relacionado a uma redução maior da gordura corporal do que de outros componentes. Idealmente, o emagrecimento é preferível a uma perda geral de peso, pois deve-se buscar manter a massa muscular, evitando a sua perda e possíveis impactos à saúde3.
Dessa forma, o emagrecimento seria preferível à simples perda de peso, pois preservaria a massa muscular e priorizaria a perda de gordura.
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Durante o processo de emagrecimento o foco na composição corporal é essencial - muitas dietas restritivas ou “da moda” acabam por promover a perda de peso rápida por meio de uma redução tanto de gordura quanto de líquidos e massa muscular3.
Isso leva a uma falsa sensação de emagrecimento, pois há a redução do número na balança, mas não é um resultado interessante (e pode até ser prejudicial à saúde!) por diversos motivos.
Como sabemos, dietas radicais não são sustentáveis em longo prazo e, ao final da dieta, há um novo ganho de peso. Porém, a perda rápida de peso com perda de massa muscular provoca mudanças no metabolismo que fazem com que esse ganho de peso ocorra principalmente na forma de gordura, ao invés da reposição do músculo perdido3.
A perda muscular também pode reduzir nosso metabolismo basal, ou seja, a energia que gastamos em repouso, o que dificulta o processo de emagrecimento em longo prazo. Além disso, perdas maiores também podem causar fadiga, queda da função muscular e maior risco de lesões3.
É importante lembrar que a gordura corporal não deve ser vista com maus olhos: ela também tem funções importantes para o organismo, como a regulação da temperatura, produção de energia, de hormônios e absorção de nutrientes4.
Portanto, um processo saudável de emagrecimento deve buscar o equilíbrio da composição corporal, evitando a perda de massa magra e reduções radicais de calorias e da porcentagem de gordura corporal. Para isso, vale a pena investir na mudança de estilo de vida, garantindo uma alimentação saudável e equilibrada com aporte adequado de nutrientes, principalmente de proteínas, além da prática regular de atividade física5.
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[1] Kuriyan R. Body composition techniques. Indian J Med Res. 2018 Nov;148(5):648-658.
[2] Marangoni E. Discurso sobre o emagrecimento no Facebook e Instagram [tese]. Rio Claro: Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho; 2019. 166 p.
[3] Willoughby D, Hewlings S, Kalman D. Body Composition Changes in Weight Loss: Strategies and Supplementation for Maintaining Lean Body Mass, a Brief Review. Nutrients. 2018 Dec 3;10(12):1876.
[4] Becher T, Palanisamy S, Kramer DJ, Eljalby M, Marx SJ, Wibmer AG, et al. Brown adipose tissue is associated with cardiometabolic health. Nature Medicine. 2021;27(1):58–65.
[5] ABESO. POSICIONAMENTO SOBRE O TRATAMENTO NUTRICIONAL DO SOBREPESO E DA OBESIDADE DEPARTAMENTO DE NUTRIÇÃO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA (ABESO -2022) [Internet]. 2022. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2022/11/posicionamento_2022-alterado-nov-22-1.pdf. Acesso em 03 de março de 2025.